Proposta para o Memorial da Democracia em Brasília, no Eixo Monumental, concebido como espaço de salvaguarda das conquistas democráticas e de registro das memórias de repressão e resistência que marcaram a história política do país.
O partido nasce da justaposição de duas cúpulas, uma inferior côncava e outra superior convexa, reinterpretando formas já presentes na arquitetura política de Brasília para representar a democracia como construção em tensão e movimento. Um sutil deslocamento entre as cascas cria leveza e um espaço de acolhimento, enquanto o rasgo na cúpula inferior marca o acesso e desdobra a praça de chegada, concebida como uma ágora contemporânea de encontro, diálogo e manifestação coletiva.
No térreo, praça, recepção, foyer e café formam um espaço de convivência que abriga também os lugares de memória, como acervo e biblioteca, e os espaços de fala e escuta, como auditório e sala do educativo. No pavimento superior, o percurso expográfico ocupa toda a cúpula em conformação anelar, organizado a partir de um núcleo central de circulação cuja escada remete ao traçado urbanístico de Brasília. As salas seguem a sequência cronológica dos acontecimentos, da instabilidade política de 1930 a 1963, passando pela ditadura militar e pela homenagem à resistência e aos movimentos sociais, até a redemocratização e os marcos constitucionais, e cada ambiente traduz seu período por meio de luz, cor e materialidade. O círculo é rompido por uma rampa que contorna o edifício e conduz o visitante ao exterior, desacelerando o passo e marcando a transição do passado, representado pela exposição, para o futuro, espaço aberto e em permanente construção. O percurso culmina em uma lâmina d’água que reflete a rampa e o próprio visitante, reconhecendo-o como parte ativa do corpo político e da continuidade democrática.
A estrutura metálica de arcos cruzados transfere as cargas para um núcleo central em concreto armado, viabilizando cascas de 67 e 63 metros de diâmetro dentro do limite de 12 metros de altura, enquanto o fechamento em GFRP (polímero reforçado com fibra de vidro) resulta em uma pele contínua e leve. O paisagismo, inspirado no Jardim de Sequeiro da Universidade de Brasília, valoriza as espécies nativas do Cerrado e acompanha o ciclo das estações, configurando um território coletivo que, como a democracia, precisa ser cultivado continuamente.















